Brilho Falso
Ana Pottes
Bandeiras desfraldadas de diversos tamanhos, cores e caras encobrem verdades que se aglomeram em pequenos, grandes, variados núcleos onde a razão nasce, cresce, viceja e não morre nunca. Cada qual com o seu cada qual. A unanimidade é burra, assim dizia certo cronista de um país tropical ao falar sobre verdades cristalizadas. Ou os temas seriam dores? Dos múltiplos tamanhos que deitam nas alcovas da humanidade e não aceitam nem a alma como recompensa terrena. Vai saber...
Cada quadrado se fecha em seu espaço, sem que haja o reconhecimento do quanto se descamou peles formando feridas, verdadeiras chagas sem serem as santas. Assim caminha a humanidade, atavicamente ligada ao sucesso dos folhetins que encobrem horas em torno das mesas, nas casas de luzes apagadas e portas cerradas. Ah! Nada mais importa. Elas apenas juntam conflitos, pequenas guerras diárias que não arrefecem e se consolidam nos tapas, tiros, cheiradas, nas diversas “lândias”, no olho do plim a dirigir vidas, nos vazios da existência humana. Bestiais como somos, vamos nos espezinhando, queimando, esvaziando, esterilizando... Rios, mares, florestas, oceanos, pássaros, peixes, desertos, montanhas, famílias, amigos, raças, riquezas, cores, bichos, pobrezas, pessoas, línguas, falares, danças, culturas... Tudo se torna alimento para o fogo fátuo, iluminando o Cosmos no século que habitamos.
E, para onde foi a humanidade?
Comentários
Postar um comentário